Dicas sobre comportamento, biologia e manejo de porquinhos-da-índia para criadores amadores.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Por engano, comprei porquinhos de sexos diferentes! Que fazer?
Amigos, isso é muito comum!
Infelizmente no Brasil os PET SHOPS não estão capacitados para manejar o porquinho-da-índia. A maioria não sabe como efetuar a sexagem (identificação do sexo do animal) antes da venda, nem como acomoda-los, alimenta-los corretamente, etc.
Não trataremos sobre como identificar os sexos pois existe vasto material publicado na internet. Se mesmo com as informações disponíveis na internet você se sinta inseguro ou tiver dúvida para efetuar a sexagem, procure por um veterinário ou veterinário especialista em animais silvestres e/ou exóticos, ou os laboratórios dos departamentos de veterinária, zoologia ou biologia da universidade mais próxima a você para que uma pessoa familiarizada com "cobaias" possa orientá-lo.
Comprei dois porquinhos e o vendedor me disse que eram duas fêmeas ou dois machos. E agora?
Alternativas:
1. Doar um dos animais.
O problema enfrentado pelos doadores é que a maior parte dos adotantes preferirem filhotes pequenos, de até três meses. Assim quanto mais velho for o porquinho, menores suas chances de encontrar um novo lar.
Também existem pessoas de má-fé que se dispoem para adotar o animal prometendo-lhe zelar por ele, mas que na verdade são captadoras de comida gratuita para serpentes! Por isso antes de doar certifique-se das intensões do adotante, afinal, você é responsável pelo bichinho também!
2. Castração
A castração preferencialmente dos machos - pois é relativamente menos "invasiva" que a das fêmeas - é a alternativa que particularmente adotamos recentemente para um de nossos animais. Ela é denominada orquiectomia. Há riscos? Sim, por isso é importante que o procedimento seja realizado por um profissional habilitado e experiente.
As mortes mais frequentes ocorrem durante ou logo após a anestesia, por erro no cálculo da dosagem de anestésico, choque anafilático e potencialização dos efeitos de doenças pre-existentes no animal - como diabetes e cardiopatias - hemorragias internas.
É bem provável que o animal orquiectomizado (castrado) tenha sarna após a cirurgia. O ácaro da sarna é oportunista, aproveita-se da queda na imunidade do animal provocada pelo estresse cirúrgico, para se manifestar.
Nos porquinhos saudáveis, a cicatrização é rápida e em dez dias ele poderá conviver com as fêmeas sem o risco de emprenhá-las.
3. Trocar o animal no PET SHOP.
Entendemos que esta não é uma prática ética. E o que garante que você não levará para casa um animal do mesmo sexo daquele que você deixou no PET SHOP? É raro o PET SHOP que aceite trocas.
4. Devolver o animal no PET SHOP.
Muitas pessoas devolvem para o PET SHOP encarregar-se de doa-lo ou revende-lo. Animais mais velhos dificilmente são comprados, pois as pessoas preferem os filhotes entre 40 a 60 dias de idade.
A posse responsável vai além das campanhas, das palavras. Ela está assentada nas ações. Lembre-se disso.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Porquinho-da-índia com sarna
Esta é uma dica para os porquinhos-da-índia com sarna (provocada por ácaros) e/ou micose (provocada por fungos): ao aplicar a medicação prescrita pelo veterinário (tetisarnol spray, por exemplo), preventivamente aplique nas patinhas porque ao se coçar, o porquinho pode espalhar o ácaro causador da sarna para outras partes do corpo. Geralmente, como ele também utiliza a boca para se coçar, aparecem focos de sarna embaixo do lábio inferior. Costumamos aplicar a medicação neste local utilizando uma seringa ou cotonete, pois o spray pode atingir as narinas, boca e olhos.
Coçando-se intensamete e repetidamente o porquinho-da-índia provoca lesões na pele que podem ser infectadas por bactérias. A falta de pelos é denominada "alopecia". O correto diagnóstico de sarna deve ser feito por um veterinário, atraves de um exame de raspagem.
sábado, 14 de janeiro de 2012
sábado, 7 de janeiro de 2012
Estou no petshop e vou comprar um porquinho... o que fazer?
Filhote de 40 dias, 250 g, em quarentena.
Nunca compre um filhote com menos de 21 dias.
Um porquinho-da-índia filhotinho é desmamado aos 21 dias de idade. Portanto, se algum petshop empurrar para você um filhotinho com menos de 21 dias, recuse! Filhotinhos com menos de 21 dias são muito sensíveis e não completaram o importante ciclo de imunização natural através do leite materno.
Não se prenda a aparência de uma bolinha de pêlos
A densa pelagem "armada" dos filhotes os fazem parecer bolinhas de pêlos. Não se prenda a esta aparência para determinar se o filhote está saudável, porque sob os pêlos armados e sedosos existem pele,carne e ossos. O problema mais comum está na pele.
Muitos Caviários (criadouros de porquinhos-da-índia) são meras "fábricas de filhotes" que visam meramente o lucro. As fêmeas são postas para procriar ininterruptamente, não se evita cruzamentos consanguíneos, os poquinhos vivem amontoados num mesmo espaço em precária higiene, não são alimentados adequadamente nem recebem suplementação vitamínica. Isso abre as portas para a propagação e infestação por parasitas como piolhos, carrapatos, pulgas, ácaros da sarna, fungos e bactérias.
Piolhos, carrapatos e pulgas são transmissores de doenças. Fungos provocam micoses. Bactérias provocam infecções nas vias respiratórias, o ponto fraco do porquinhos, levando-os a morte. Os ácaros provocam a sarna, de propagação rápida e muito difícil de se curar. Ao se coçar, o porquinho se machuca provocando a perda de pelos e lesões que muitas vezes deixam a pele em "carne viva". Estas lesões podem ser infectadas por bactérias e parasitas que deixarão o seu animalzinho mais vulnerável e suscetível a morte. Isso é mais comum do que se imagina!.
Portanto, não se deixe levar pela aparência fofa do casaco de pelos dos porquinhos! Essa aparência não lhe garante que ele está livre de doenças e/ou parasitoses! Evite comprar os porquinhos de pelo arrepiado e opaco, sinais do escorbuto, ou que se coçam muito ou aqueles mais letárgicos, que não reagem à ameaça de serem pegos.
Examine se existem cicatrizes na orelha do porquinho. Se faltarem pedacinhos nas bordas, é sinal de que ele viveu junto de porquinhos adultos que o morderam competindo por alimento, espaço e dominância.
Nunca compre porquinhos de sexos diferentes!
Se enganam redondamente aqueles que pensam que um casalzinho os fará mais felizes! NÃO!!! Um casal de porquinhos é prolífero, a fêmea entra no cio a cada 15 dias e os machos já montam na própria mãe aos 21 dias de vida!!! A gestação é de 54 a 60 dias. Em cada "ninhada" nascem de um a três filhotes. Com 60 dias ambos os sexos já estão aptos para procriar. A gestação é arriscadíssima para fêmeas com idade inferior a cinco meses e superior a sete! Macho e fêmea comprados juntos podem ser parentes e se cruzados entre si podem gerar filhotes muito fracos ou inviáveis.
A melhor companhia para um porquinho-da-índia é outro porquinho do mesmo sexo.
Fuja do petshop onde não houver pessoal qualificado para identificar filhotes machos e fêmeas, bem como daqueles onde muitos porquinhos são expostos amontoados, filhotes muito maiores e menores juntos. Você pode correr o risco de levar para a sua casa uma fêmea prenhe!
Por hora é isso.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Sobre este bloguinho
Este não é o primeiro nem o último blog sobre porquinhos-da-índia. Não temos a pretensão de ser o bastião da verdade sobre como se deve ou não criar um porquinho (e fundarmos mais uma Igreja Fundamentalista da Verdade Absoluta"), porque de "verdades absolutas" o mundo está cheio... e também cheio de vaidade nociva, intolerância, arrogância e ignorância, ingredientes degenerativos da civilização humana. Pretendemos aqui relatar algumas experiências sobre a criação amadora e apaixonada do "Cavia porcellus", vulgo porquinho-da-índia.
Vocês até podem encontrar informações aqui neste blog que contradizem outras disponíveis em outros sites sobre porquinhos-da-índia. Não se irritem, por favor. Apenas expressamos nossas conclusões baseados em nossa experiência, observações, acesso a relatórios de pesquisas científicas e principalmente, pelo bom senso. Tudo é passível de mudança, dados científicos e por que não, inclusive nossas opiniões.
Vocês até podem encontrar informações aqui neste blog que contradizem outras disponíveis em outros sites sobre porquinhos-da-índia. Não se irritem, por favor. Apenas expressamos nossas conclusões baseados em nossa experiência, observações, acesso a relatórios de pesquisas científicas e principalmente, pelo bom senso. Tudo é passível de mudança, dados científicos e por que não, inclusive nossas opiniões.
Lembramos que somos adeptos da filosofia da posse responsável e incentivamos a adoção de animais, do respeito mútuo e da cultura da Paz.
Bem vindos!
Bem vindos!
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
É porco ou rato?
Charlie, porquinho-da-índia (Cavia porcellus) macho de 126 dias
Cavia porcellus é o nome da espécie do porquinho-da-índia. "Cavia" é uma palavra latina que significa "roedor sem rabo" e "porcellus", pequeno porco. Uma coisa que pouca gente sabe é que, apesar do nome "porquinho" e da aparência, eles não são porcos nem ratos, nem coelhos.
Pertencem à Família dos Caviidae, a mesma Família da capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), dos preás (Galea ssp, Cavia ssp), da mara (Dolichotis ssp), do mocó (Kerodon ssp).
O porquinho-da-índia doméstico, também chamado de cobaia, originou-se nas montanhas e pradarias da região do altiplano dos Andes. Arqueólogos acreditam que a espécie selvagem que deu origem ao porquinho-da-índia atual começou a ser domesticada pelos índios há cerca de 7.000 anos atrás. Os cientistas ainda tentam descobrir qual teria sido esta espécie original. Chegou-se a cogitar que uma subespécie muito parecida com a do preá encontrado no Brasil fosse esse ancestral. Trabalho publicado na Revista Chilena de História Natural, a partir da análise comparativa do DNA mitocondrial das espécies de préas, concluiu que os porquinhos-da-índia (Cavia porcellus) são mais próximos do preá-andino (cuy andino peruano) Cavia tschudii que das outras espécies de préa (Cavia aperea ssp, Cavia fulgida.), sendo o preá andino o ancestral selvagem mais provável.
Capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) - fotografia de Eduardo Justiniano
Mocó (Kerodon rupestris)
ilustração de www.planet-mammiferes.org
Cavia tschudii , este é o preá-andino. Há estudos científicos que suportam a tese de que
esta é a espécie selvagem domesticada pelos ancestrais dos incas, há 7.000 anos, que originou o nosso Cavia porcellus (porquinho-da-índia).
Cavia aperea resida, o preá brasileiro.
Mara (Dolichotis sp), nativa da Argentina.
Kerodon sp., outra espécie de mocó.
Mocó (Kerodon rupestris sp), com uma mutação genética
que gerou a testa branca, encontrado na RPPN Fazenda Morrinhos em 03/07/2008
fotografia de José Juracy Pereira
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